Problemas e Soluções - O Sol Interior®
problemas e soluções

Problemas e Soluções

Olá a todos, hoje trazemos um artigo, com o qual “tropeçamos”, fala sobre Problemas e Soluções, mais concretamente sobre a forma com que encaramos os problemas. Aconselhamos a ler e a colocar em prática!

Agradecemos ao autor do texto por esta partilha.

Desejamos uma óptima semana de férias ou de trabalho, conforme o caso!

 

“O problema é a solução.” — Bill Mollison

De todos os seres vivos, só os humanos têm “problemas”. Um cão que não encontra comida não tem um problema, tem apenas fome. Um sapo que não encontra companheira não tem um problema, tem uma motivação para cantar mais alto.

Porque não podemos nós ser assim tão simples?

Os problemas são coisas úteis, que nos beneficiam enquanto espécie. São gerados pela nossa mente complexa, que está constantemente a aprender, a procurar padrões, a agir de acordo com uma visão do mundo.

Um “problema”, neste sentido, pode ser visto como uma oportunidade de aprendizagem e evolução: um desafio que, depois de ultrapassado, nos tornará mais aptos a resolver o próximo desafio.

O único “problema” com os nossos problemas é que nos acostumámos a dar-lhes uma conotação automaticamente negativa. Regra geral, encaramos um problema como uma coisa “má”, que preferíamos que não existisse, e que fazemos tudo para que desapareça.

Ao fazermos dos nossos problemas algo de negativo, prejudicamos a nossa capacidade de os resolver de forma positiva e criativa — e podemos mesmo cair no grave erro de fingir que o problema não existe, para evitarmos a dificuldade que ele nos apresenta.

A solução é simples: passar a dar aos nossos problemas uma conotação positiva. Se é a nossa atitude que faz com que um problema seja negativo, basta-nos mudar essa atitude para que ele passe a ser positivo.

Os nossos “problemas” continuam os mesmos! Mas deixam de ser problemas, e passam a ser oportunidades.

O exemplo mais famoso da permacultura:

“Não tens excesso de lesmas, tens falta de patos.” — Bill Mollison

Esta famosa citação já foi posta em prática por várias pessoas. Entre elas está Meadow Scott (1), um permacultor que vive no litoral do Alasca, uma das zonas mais frias e húmidas do planeta. O seu quintal recebe cerca de 4.000 milímetros de chuva por ano (em Portugal a média anual ronda os 700 milímetros), e a média das temperaturas máximas no verão ronda os 13ºC. Escusado será dizer que é um bom clima para lesmas!

Mas em vez de se focar apenas no aspeto negativo das lesmas (nomeadamente, elas comem vorazmente os vegetais da sua horta), focou-se no aspeto positivo (nomeadamente, podem servir de alimento para patos). Ao começar uma pequena criação de patos no seu quintal, para se juntarem às galinhas que já criava, não só reduziu tremendamente a população de lesmas, como aumentou a sua produção de ovos e carne.

As lesmas continuam a ser lesmas, continuam a comer vegetais e a reproduzir-se como antes. São as mesmas lesmas, tal e qual. Mas através de uma mudança de atitude, com a ajuda de um elemento natural, deixaram de ser um problema para passarem a ser uma solução.

 

Leveza e Responsabilidade

O mundo moderno assalta-nos com excesso de responsabilidades: pagar a casa e o carro, educar os filhos, pôr comida na mesa, agradar aos superiores hierárquicos, dar suporte a familiares idosos… A grande maior parte das pessoas, especialmente as que vivem nas cidades, sente-se esmagada pelo peso das suas responsabilidades.

É importante para cada um de nós aprender a libertar-se deste excesso de peso, e encontrar formas de levar a vida com mais leveza. O princípio permacultural de que “o problema é a solução” pode ser uma grande ajuda nesse sentido.

Por outro lado, é importante frisar que esta leveza não deverá nunca levar a uma des-responsabilização. Se há alguma coisa importante que a permacultura nos ensina, é a tomar responsabilidade pela nossa existência, e por tudo o que fazemos ou deixamos de fazer.

Ignorar um problema é em geral uma péssima ideia: as lesmas não desaparecem, nem deixam de nos comer a horta, só porque nós passamos a encará-las de forma positiva…

Como em quase todas as áreas da nossa vida, a resposta está no “caminho do meio”: aceitar os problemas como eles são, compreendê-los, assumi-los como nossos, e tentar ajustar criativamente a nossa vida de forma a que deixem de ser problemas.

 

Os Opostos que Não São Opostos

Apesar da aparente contradição, qualquer problema é simultaneamente uma solução. Qualquer coisa que nos apoquenta pode ser aproveitada para nossa vantagem, e para vantagem de toda a comunidade viva que nos suporta — o planeta Terra.

Frequentemente basta uma pequena mudança de perspectiva ou de atitude, ou o acrescentar de uma simples peça do puzzle, para que tudo funcione de forma natural.

Por vezes é necessário um maior esforço, ou a construção de algum sistema mais complexo, para lidar com uma determinada situação — por exemplo construir um sistema de purificação de águas cinzentas para regar as nossas plantas.

Ou por vezes temos de abandonar um comportamento que se tinha tornado num hábito, mas que chegamos à conclusão que é prejudicial ao ponto de não poder ser mantido — por exemplo viagens longas e frequentes de carro, ou usar produtos químicos na horta.

Mas o importante a reter é que uma solução não tem de ser vista como o oposto de um problema, nem um problema como a antítese de uma solução.

Seja o que for que exista ou aconteça, em especial no mundo natural, tanto pode ser visto como um problema, como uma solução. Tanto nos pode surgir como uma resposta negativa, como uma resposta positiva.

Basta fazermos a pergunta certa.

(1) — http://permaculturenews.org/2013/10/12/ducks-backyard-permaculture-alaska/

Fonte: http://sersustentavel.pt/pt/problemas-e-solucoes/
Texto: Tiago Simões

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